“Até o céu que é imenso, às vezes chora.”— Pedro Pinheiro.
“Até o céu que é imenso, às vezes chora.”— Pedro Pinheiro.
“Eu perdoei, mas também aprendi uma lição. Eu não vou te odiar, mas nunca vou chegar perto o suficiente para você me machucar novamente.”— Luana Winter.
“2 segundos. 2 míseros segundos é o tempo suficiente pro nosso canal auditivo receber a palavra mais complexa da história: Acabou. E a gente se dói por tudo que se foi e por todos os sentimentos que um dia já fizeram sentido. E já não fazem. Sabe por quê? Porque a gente faz do fim o vilão da historia. O monstro que cria um milhão de pensamentos e faz a gente se afogar em um mar de lágrimas. O malvado que destrói tudo e deixa danos irreparáveis. O assassino, ladrão, que mata e rouba nossos sonhos, planos, promessas. Essa é a nossa concepção, é assim que a gente pensa. E é por isso que a gente sempre sofre. E se o acabou for mais libertador que tudo isso? Acabou? Sim. Acabou o medo. Acabou a insegurança. Acabou o estresse. Acabou o nervoso. Acabou a cobrança. Acabou o que te priva. Acabou o que impede. ACABOU! Igual a música preferida que você coloca no repeat dez mil vezes porque uma hora ela também chega ao fim. E você não gosta menos dela por isso. O filme que você dá play e duas horas depois se depara com o fundo preto exibindo os créditos, porque ele também terminou. E ele não deixa de ser o seu preferido. Todo começo tem um fim. É regra básica. É física. É química. É reação. É a lei da natureza humana. A gente não pode se lamentar por isso. Tudo termina só pra gente continuar. Enxergar o lado bom das coisas é tão fundamental quanto colocá-lo em prática. Acabou? Mesmo? Pra valer? Começa outra coisa. O tempo é a nossa maior dádiva e o medo é o nosso maior bloqueio. Não vale a pena se prender a um ponto final enquanto a vida clama por reticências…”— Pedro Pinheiro.



Talvez um dos maiores entraves que nos emperrem o seguimento de nossa jornada venha a ser o medo de sofrer. Tememos enfrentar muitas dores, porque achamos que não conseguiremos suportá-las e, por essa razão, muitas vezes acabamos trazendo um sofrimento ainda maior para nossas vidas, mantendo conosco o que não nos ajuda a sermos felizes; muito pelo contrário.
Dentre os sofrimentos que evitamos, encontra-se o medo de nos separarmos do parceiro, que nem mais parceiro é, que nem mais nos ama, nos pede, nos chama para si. Protelamos, assim, um rompimento que já se tornou urgente e necessário, evitando tomar a atitude certa, a única atitude, aliás, possível e coerente naquele momento, uma vez que a manutenção desse alguém conosco está acabando com nossa vitalidade, com nossa razão de sorrir, com nosso potencial em amar com reciprocidade.
Por mais que o outro nos ignore, nos esqueça, nos torne invisíveis, muitas vezes acabamos tolerando além da conta, ainda que se extenuem nossas forças, mesmo que avisemos e avisemos de novo. Porque a gente acreditou tanto, a gente investiu tudo o que tinha, a gente se doou e se entregou de forma transparente e por inteiro, a gente quer dar certo no amor, ou seja, aceitar a falência daquilo que tomou tanto da gente dói demais.
E, assim, vamos mantendo em nossas vidas exatamente quem deveria ficar bem longe, quem já teve a chance de fazer parte de nós e não fez a menor questão de se doar, de compartilhar, de ser junto, quem nos vê somente como provedores de algum conforto, de alguma coisa de que ele precise, de tudo o que não implique troca e sentimento humano. E, assim, vamos aumentando nossa dose diária de dor e de sofrimento, exatamente porque pensamos estar evitando a dor da separação.
É preciso deixar ir. Deixe que vá quem fica por comodismo, quem fica como peso, como bagagem inútil, quem só recebe e nada devolve, quem não nos percebe, não nos enxerga, não nos espera pra nada, por nada. Mande embora de sua vida quem encostou feito gelo, quem suga, quem mente, quem pratica o tanto faz. O sofrimento por quem vai embora é dolorido, mas libertador. Prefira a dor do rompimento que aos poucos acalma a um sofrer diário por medo de sofrer. Dor sem fim ninguém merece, muito menos você.
(A soma de todos os afetos)
Se você pode ter por perto quem não escolheu ficar por conveniência, sorte a sua. Fora isso, descomplica esse coração e deixe ir embora quem não sabe como ficar, quem não sabe valorizar e demonstrar gestos mútuos pela sua entrega. Não insista, não implore e não faça pouco do sentimento que você resolveu compartilhar e não atingiu a mesma sintonia.
Você intercede o quanto dá. Não funciona se você não souber a hora de tirar o seu time de campo. É preciso respeitar a falta de vontade da outra pessoa. O amor não cai no colo e permanece lá, quente e protegido. Ele também parte e não há muito o que possa ser feito quando isso acontece. Se quem você ama não tem mais motivos para continuar do seu lado – ou simplesmente não se conhece o suficiente para retribuir o carinho que você merece, por que se dar ao trabalho?
Eu sei que é uma grande decepção viver algo tão intenso e, apesar de todos os bons momentos vividos juntos, perceber que aquela pessoa não se encontra mais disposta e interessada em seguir dividindo abraços. Daí você se pega numa tristeza que parece não ter fim. E pensa, como fui ter tanto azar? Como não enxerguei os sinais? Não se culpe. A gente acha que é fácil vendo de fora, mas só quem está dentro conhece os verdadeiros detalhes do desapego.
Eu sei que você é um alguém com amor demais. Tem espaço de sobra nesse coração e nada mais justo que ele receba um bocado de aconchego. Mas ninguém que não sabe como ficar vale a sua desistência em seguir em frente. Lembra que você se saiu muito bem antes de alguém pedir descanso na sua vida. Agora, lava essa alma e faça o necessário para reencontrar os sorrisos que sempre teve.
Não pense em arrependimentos. Não comemore no caso dessa pessoa reaparecer e confessar que perdeu o amor de uma vida. Não sei te contaram, mas amor de uma vida é aquele que soma no agora. Um dia, talvez não muito longe, você conseguirá olhar para o lado e ver que quem está contigo entende exatamente do que se trata uma relação; troca, liberdade e vontade de ficar.
(A soma de todos os afetos)
Por que é tão difícil se desligar de quem nos faz mal?
Por que parece tão errado desfazer um relacionamento que só causa dor?
Dependência emocional? Aquela sensação de que jamais iremos encontrar outra pessoa? Medo da solidão?
São tantas hipóteses. Mas defendo a ideia de que relacionamentos tóxicos acabam nos aprisionando. Acreditamos incansavelmente nas promessas de mudança e por isso vamos levando. Vamos deixando o fim pra lá, em segundo plano.
Vejo pessoas maravilhosas que se apagam por viver relacionamentos tão difíceis. Essa história de que amor só é amor com luta. Amor só é amor se suportar muita coisa. Amor só é amor se tiver uma história complicada. Não precisa sabe? Pode ser leve, gostoso, aquela história descomplicada, cheia de maturidade ao invés de choro. Você não precisa suportar tudo, porque amor não é permissivo com tudo. Amor corrige.
Não aceite o que te faz mal.
Desligar-se de amores tóxicos é muito difícil porque parece que é a decisão mais errada, que nós não estamos sendo pacientes que nós não sabemos tolerar as coisas e que estamos exigentes demais. Mas não se deixe convencer por isso.
Quem ama melhora e faz de todo o possível para ver o outro feliz. Não entendo amor que não liga se o outro chora, sofre ou está infeliz. Amor é cuidado e preocupação também. É querer dar e ser a melhor versão para o outro. Deixe ir quem não faz questão de ficar. Quem só promete e não cumpre. Quem faz você se sentir culpado e joga toda a responsabilidade em suas mãos.
Deixe ir quem não tem maturidade para uma conversa e não sabe lidar com problemas. Deixe ir quem não sabe estar perto e ser presente. Quem só te oferece indiferença. Deixe ir quem não sabe ser paz. Você merece mais que isso.
(A soma de todos os afetos)
Existem os finais perfeitos e os finais necessários. E algumas vezes o ponto final acontece antes do fim.
Onde caberia uma vírgula, ponto de interrogação ou reticências, se antecipa o ponto final.
A folha continua, tem muitas linhas em branco até chegar ao rodapé da página, mas preenchê-la até o fim seria diminuir a intensidade do que foi escrito no início.
Não é preciso preencher um caderno inteiro para provar que foi bonito. Às vezes, escrever uma só linha basta.
Algumas histórias nascem para serem curtas, mas isso não diminui a beleza nem a importância.
Insistir em vírgulas quando o ponto final é a única ferramenta possível para fazer a história resistir como uma lembrança inesquecível, é tornar aquilo que poderia ser marcante em algo maçante, que se prolonga além do necessário.
Algumas histórias nascem para serem curtas. Como quando você faz uma viagem para um lugar diferente, lindo e distante. Você se encanta com o frio dilacerante, aplaude o pôr do sol e não se importa de escalar uma montanha para chegar ao topo. A viagem terá curta duração, você sabe, por isso cada instante é vivido com intensidade e emoção. Se, ao contrário, a viagem se torna realidade cotidiana, o prazer se dissipa. E aquilo que seria inesquecível por ter tido um ponto final, se torna apenas mais uma entre as muitas vírgulas rotineiras da sua narrativa.
Pontos finais também são atos de amor. Partir antes do fim também é uma forma de eternizar o que foi vivido. É doloroso, mas insistir em parágrafos somente pela necessidade de chegar à última página transforma o amor bonito em ruínas. Às vezes é preciso finalizar antes da última palavra.
Adoro a frase de Rupi Kaur que diz: “Eu não fui embora porque eu deixei de te amar. Eu fui embora porque quanto mais eu ficava, menos eu me amava.” Partir antes do fim é preservar a porção de dignidade que ainda resta, é poupar o amor de ser lembrado como um fardo, é restaurar o amor-próprio e dar uma chance para que o tempo transforme a dor numa cicatriz-poema, capaz de nos lembrar que viver sem se machucar é o mesmo que viver sem amar.
(A soma de todos os afetos)
A forma como a pessoa sai de um relacionamento que traduz a identidade
dela. Ninguém consegue manter uma máscara por muito tempo. No início a
pessoa escolhe uma personagem para representar e encantar o outro.
Conforme a relação avança, a cola da máscara vai derretendo até cair.
Feliz é quem se refere ao(à) ex assim: fulano(a) não está mais comigo, mas é uma pessoa maravilhosa.
(A soma de todos os afetos)
Haverá sempre um dia. Um dia em que abraçaremos alguém pela última vez, jogaremos bola com nossos amigos de infância pela última vez, começaremos uma jornada que nos transformará para sempre. Haverá sempre um dia em que acordaremos ao lado de alguém pela última vez, nos tornaremos fortes a ponto da criança que fomos morrer de orgulho, optaremos por um caminho que modificará toda nossa história. Haverá sempre um dia. Um dia decisivo no meio de tantos outros, mas ainda assim, só mais um dia. Só teremos a noção de que esse dia foi importante muito depois, quando olhamos para trás e percebemos o quanto ele nos transformou.
(A soma de todos os afetos)